domingo, 22 de março de 2009

Atravessando as barreiras do tempo e do espaço

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Quem encontrou recentemente este espaço não sabe, de certo, que ele nasceu do desejo de incentivar outras pessoas a fazerem uma "viagem ao encontro do eu" .
O tema poderá parecer algo subjectivo para alguns, mas marcou de tal maneira a minha vida que arrisquei partilhá-lo.
Encontrei aqui pessoas que já me conheciam e que sabem que tenho uma filha que partiu com 18 anos. A sua morte abriu as portas do meu coração para a vida. O meu luto foi feito e aprendi a viver com a sua ausência física.
Nestes últimos dezassete anos fui, pouco a pouco, descobrindo o caminho para o interior de mim própria. Viagem de início um pouco tumultuosa mas que agora faço quase diariamente procurando ir cada vez um pouco mais longe, atravessando as barreiras do tempo e do espaço.
Todas as situações, sentimentos e estados de alma que retrato foram vivenciados nesta aprendizagem. Alturas houve em que foi preciso lutar. Noutras, deixei-me acarinhar e mimar.
Sinto que sou hoje uma mulher bem diferente e melhor do que era no passado.
Àqueles, e certamente serão muitos, os que têm por hábito fazer esta viagem, peço que dêem os seus testemunhos para ajudar os que se estão a iniciar agora nesta fantástica aventura da descoberta do "eu".

15 comentários:

Deyse Ribas disse...

Oi Maria Emília!
Encontrei sei blog há pouco tempo... Na verdade, voce encontrou o meu primeiro e desde entao passei a te "visitar"... Sempre encontro palavras profundas que, apesar de serem baseadas na sua "viagem" servem como inspiracao pra todos que se dedicam ao autoconhecimento, à aprendizagem, ao proprio crescimento... Sua experiencia me inspira e incentiva a também contribuir de alguma forma, ainda que pequena, para a reflexao de outras pessoas.
Abracos

Em tempo, o texto que leu em meu blog hoje não é meu... Foi um esquecimento não colocar a fonte... erro já corrigido!

Paula Raposo disse...

Eu ainda estou em fase de aprendizagem. Adorei ler o que a Mariz escreveu. Muitos beijos.

Mariz disse...

Cara amiga Salvé!

Falta ainda o mais importante: soube por intuição que não devemos seguir qualquer religião - leia-se doutrina - porque isso aprisiona-nos. O Caminho que leva ao PAI, á meta de MAIOR LUZ, não se compadece com "bengalas" - foi esse o termo que me foi oferecido.
Abraço de sempre
MAriz

BC disse...

Sou uma mulher de palavras, mas nestas situações prefiro o silêncio, é doloroso demais.

Deve ser, ou tenho a certeza que é a dor maior do mundo.

A luta tem que ser muito grande e a força também.
Maria Emília obrigada pela partilha, só pode ser uma pessoa boa.

Quando poder passe pelo meu jardim e traga de lá uma rosa que me foi oferecida pela Licas para plantar no seu jardim ela será para as duas.

Do seu jardim ela subirá certamente, e eu quero que ela lá chegue.
Beijo grande
Isabel

Maria Emília disse...

Minha querida amiga Isabel,
As dores não se podem medir. Deixe-me que lhe diga que as penas vivas são bem maiores do que as penas mortas. Perder um filho não é a maior dor do mundo quando se tem a profunda convicção que a vida continua para além da vida. Claro que de início o sofrimento é horrível mas sem sofrimento não há crescimento. É evidente que preferíamos ter o nosso filho e não crescer mas...não nos foi dado escolher.
Passarei pelo seu jardim para colher uma rosa. Obrigada desde já a si e à Licas pela vossa ternura.
Um beijinho,
Maria Emília

Maria Emília disse...

Que fantástico testemunho Mariz. Que bom ter havido esta oportunidade para falar sobre a sua viagem aos portais da morte e a transformação que ela causou em si.
Espero que muitas pessoas possam ler o que escreveu e percebam que não há que ter medo da morte. Ela é uma companheira diária que nos diz a cada instante para não deixarmos para àmanhã o que devemos fazer hoje.
Um grande abraço,
Maria Emília

Maria Emília disse...

Oi Deyse, fico muito feliz por saber que encontra inspiração nas minhas palavras. É um grande incentivo para continuar.
Beijo,
Maria Emília

Teté disse...

Descobrir o "eu" suponho que não depende da partida de ninguém!

Porque julgamos sempre que não aguentamos, mas somos mais fortes do que imaginamos!

Mas talvez para vencer a dor seja necessário esse aprofundar do eu, do dar valor ao que é realmente importante, do viver um dia de cada vez com a maior paz e serenidade possível. Em suma, Carpe Diem!

Beijinhos e obrigada pela explicação sobre a vontade que esteve na origem deste espaço!

Licas disse...

Olá Maria Emília
O caminho para dentro de nós próprios é dificil e não é qualquer um, em qualquer altura que o consegue fazer.
Penso que é necessária a dor, o desespero, a solidão, para que consigamos chegar lá.
Perguntamos porquê e mais tarde ou mais cedo a resposta vem e nósestmos lá.
Mas a fé e o Amor têm que existir.
Mais uma vez ... Obrigada!
Licas

Multiolhares disse...

Somos postos á prova de tantas maneiras,
e por vezes tão difíceis como a que tiveste de passar,
nenhum de nós esta nesta vida por acaso, todos temos uma função
mesmo a morte prematura de alguém que tanta dor trás tem um fundamento.
E sem duvida que estamos neste plano tridimensional para aprendermos,
e só quando plantamos o perdão e o amor no coração podemos caminhar.
beijos

A Senhora disse...

Já perdi pessoas próximas demais e muito queridas, mas o que mais mexe comigo é me perder de mim mesma... Isso... Contra isso brigo todos os dias.

Maria Emília disse...

Caras amigas,
Todos os vossos comentários são riquissimos e bem pertinentes.
É claro que a viagem ao interior de nós próprios não implica ter perdido alguém. Todos nós temos uma missão e fazer essa viagem ajuda a melhor entender ao que viemos. O que importa mesmo é conseguirmo-nos encontrar no meio de todas as tempestades da vida e não nos deixarmos perder.
O meu comentário apareceu só porque as minhas postagens deram a entender que eu estava a passar pelas situações que descrevia quando na realidade eu queria dar essas situações como fins a atingir.
Nunca pensei falar da morte da minha filha que é um assunto que está bem arrumado no meu santuário interior.
Descupem-se se de alguma maneira vos perturbei com este tema.
Bem hajam pela vossa participação.
Maria Emilia

Chica disse...

Lindíssimo teu depoimento.,Não sabia de nada, pois sou noiva aqui nesse teu lindo espaço.(Só aqui, pois de idade,rtsrsrs...) Eu, como alguém que pretende se aperfeiçoar, melhorar nessa caminhada, tento olhar pro meu interior sempre, ouvir a voz que me chega do coração...
Fico feliz ao ver que hoje te sentes melhor do que antes,isso é a caminhada...Um beijo,tudo de bom,chica

Canduxa disse...

Desde que me lembro que tudo que se relacionava com anjos e com assuntos místicos despertava o meu interesse.
Sabia que tinha um anjo que cuidava de mim e me dava a mão durante a noite e muitas vezes sentia a sua presença também de dia.
Passei por um susto valente ao ter-me sido detectado um melanoma maligno mas, felizmente tudo correu bem e não passou de um susto. Há muito que o meu relacionamento deixara de fazer sentido e com custo fui conseguindo ultrapassar muitos obstáculos. Estava descontente comigo e com a vida apesar de ser uma pessoa dócil, cheia de amor, prestável e simpática. Para colmatar a minha insatisfação enchia a casa de gente e adorava cozinhar para todos. A minha família sempre foi o meu porto seguro. Perdi a minha mãe aos 21 anos e para mim o meu pai e irmãos eram muito importantes. Entretanto os meus filhos cresceram e em 2003 a minha filha terminara o curso e decidiu fazer uma viagem à Índia. Ela não sabia muito bem o que queria e sempre se achou um pouco diferente.
Achei linda a ideia e apesar de ser muito longe e ela muito jovem acedi ao pedido. Por coincidência, uns dias antes da sua partida, uma amiga falou-me sobre uma casa onde faziam Reiki. Ambas ficamos interessadas e fomos lá no dia seguinte.
A partir desse dia tudo mudou na minha vida.
A minha filha partiu e ficou na Índia 6 meses. Não sei como mas perdi o medo e a ansiedade e sempre que queria saber noticias dela ela comunicava comigo.
Durante esse tempo comecei uma viagem ao meu interior. Os anti-depressivos que tomavam foram para o lixo e fiz iniciação de reiki. Interessei-me por meditação e um dia fizeram-me uma leitura de aura.
Parecia que vivia num Mundo diferente.
Tudo começava a fazer sentido para mim. Vieram os sonhos e aprendi muito do que significavam na minha vida. Entretanto a minha filha regressou e ambas continuamos na aprendizagem do reiki. Senti que tinha vocação para a cura, sentia-me saudável e feliz. Comecei a ver luzes brilhantes a saírem dos olhos. Consultei um médico e não tinha nada…mesmo nada!
Um dia ao ler um livro do poder dos anjos vinha lá a descrição dessas luzes….
Resolvi com a minha filha fazer o curso da leitura da aura (1 ano)e para isso aprendi a meditação das rosas. Mais tarde acabei por ir a França e frequentar um Curso de Transmissão de Ensinamentos Chenrezig com o Venerável Kyabdjé Trulshik. Assisti e continuo assistir a palestras.
Neste momento sinto-me com um longo caminho percorrido e sempre em mudança.
Comecei a escrever alguns poemas, a fazer caminhadas, fiz o caminho de Santiago de Compostela e diariamente tento ser uma pessoa melhor.
Aprendi a amar incondicionalmente, aprendi a perdoar-me pelas minhas escolhas, aquelas que me faziam sofrer, aceitar os outros, perdi os medos e comecei a viver o aqui e agora.
Aprendi a gostar de mim e a ver o mundo colorido. Enfim…. Descobri que sou aquilo que quero ser e que tenho poder para ver os milagres acontecerem na minha vida.
Afinal a minha transformação foi um milagre!
E muito mais teria para dizer mas já dá uma ideia de como tudo se passou.
As minhas vivências, vou partilhar a pouco e pouco no meu cantinho, onde tenho sempre a porta aberta.
O meu obrigado, Maria Emília, pela oportunidade que me deu de partilhar um pouco do meu despertar.
Beijinhos
canduxa

Pelos caminhos da vida. disse...

Parabéns por estar conseguindo,adorei seu blog e tb me tronei uma seguidora dela.

Fica com Deus.

beijooo.

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